Sexta à noite, fui buscar meu carro no estacionamento próximo à faculdade. O proprietário apontou onde estava estacionado, bem próximo. Perguntei se ele havia reparado que eu tinha mandado lavar (o cinza voltou ao preto original). Claro que ele tinha notado. Alguns dias atrás outra cliente que possui um carro igual, ao pensar que o meu era dela, falou "tem até a mesma sujeira!". Mas não foi isso que me fez mandar lavá-lo, porque eu simplesmente não ligo para o brilho reluzente do carro, cera, essas coisas. Eu sei, protege a pintura, tem o sol, blá blá blá, mas o problema é tempo. Cuidar de carro não é comigo, gostaria de terceirizar esse serviço. Enfim, foi lavado devido às viagens feitas com a Plick, que espalhou pelos por tudo (ainda não me acostumei com o fim desse acento diferencial, que era bem útil, enquanto que aquelas regras de hífen, para quê mesmo?). Era entrar no carro para começar a espirrar.
Antes de ir embora, falei para o dono do estacionamento que era a segunda vez que o carro ganhava banho. Ele me disse: "você é econômica, não?" Então expliquei sobre a minha falta de tempo, esquecimento, paciência, etc. No caminho de volta, fiquei pensando sobre o "elogio". Não me irritei nem um pouco, ao contrário, achei graça, pela sutileza do comentário. Mas será que o mesmo teria acontecido se os termos fossem outros, algo como "mas que pão-dura, heim?"
Como a escolha das palavras faz toda a diferença nas comunicações... O que parece ser um sinônimo, dependendo do contexto, pode agradar ou ofender. Tenho a impressão de que existem pessoas especialistas em selecionar as palavras mais irritantes, mesmo sem a intenção de serem desagradáveis.
O comentário do dono do estacionamento acabou sendo engraçado, apesar de ter ficado na fronteira da intromissão. Vou lembrar dele na próxima vez, quando for justificar por que o carro não foi lavado. Ocupada ou econômica?
Nenhum comentário:
Postar um comentário