sexta-feira, 26 de março de 2010

Destino

Outro dia eu estava falando com minha filha sobre as escolhas que a gente faz vida afora, e como isso determina sua direção, completamente diferente se a escolha tivesse sido outra. Comecei pela própria existência dela, onde tudo começou. Contei que quando estava terminando a oitava série, rumo ao segundo grau (hoje ensino médio), fiquei sabendo que havia o colégio técnico da universidade. Combinei com uma colega de fazermos a prova de seleção, que era quase um vestibular. Ela ficou muito animada, claro que não pelos estudos, mas porque a maioria dos alunos seria do sexo masculino. Já eu via uma forma de fugir daquele colégio estadual que minha mãe tinha "ameaçado" me mandar. Acabei passando na prova e, no fim das contas, não sei nem se minha ex-colega chegou a se inscrever. O resto da história é que no colégio técnico conheci o pai da minha filha, então casamos, ela nasceu e vivemos felizes para sempre (mas não juntos, claro...)

Portanto, a simples escolha de um colégio, aos 14 anos, foi determinante para que a Amanda pudesse vir a esse mundo. E se minha mãe tivesse me oferecido outro colégio? Isso é só o exemplo de uma das milhares decisões que eu já tomei na vida, que me colocaram na exata posição em que eu me encontro. Alguns chamam isso de destino. Mas como seria chata a vida se realmente houvesse algo pré-determinado para nós? Para que nos esforçar, se nunca passaremos naquele concurso, afinal, isso já está definido no livrinho do destino. Nem adianta ser menos ciumenta, vocês vão se separar, ele vai te trair. Não sabia? Tá lá, escrito. Não precisa te cuidar, se é para engravidar, vai acontecer de um jeito ou de outro.

Tenho um conhecido que leva ao pé da letra os sinais que o destino dá. E acaba desistindo fácil das coisas, porque se algo sai fora do planejado, "não era para ser". Uma certa ocasião, foi almoçar com uma menina que ele andava bem interessado, já haviam saído diversas vezes. A relação estava se encaminhando para um namoro. Ao sair do restaurante, foi surpreendido com o furto do aparelho de som do carro, além da porta amassada, pois os ladrões não costumam ser delicados. Pronto, a voz do destino gritou que não era para ser. E meu conhecido sumiu da vida da ex-futura-namorada...

O que alguns chamam de destino, eu entendo como coincidência. A vida poderia se desenrolar de infinitas formas, mas os donos da situação ainda somos nós. O amor da nossa vida pode estar naquela esquina, passando lá cinco minutos depois talvez ele já tenha ido embora e acabaremos não tropeçando nele. Para a menina do restaurante, acabou levando a melhor no assalto, ao se livrar de um ex-futuro-namorado muito supersticioso. Não era para ser.

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