sábado, 20 de março de 2010

Professores

Durante o curso de formação de professores para o ensino técnico, que fiz logo após me formar em engenharia, aprendi sobre as novas abordagens relacionadas ao ensino. Enquanto no passado se falava em transmissão do conhecimento, passou-se a tratar da construção do mesmo. O professor não deveria apenas passar o que sabia aos estudantes, mas sim estabelecer um canal de duas vias, no qual os alunos participariam ativamente do processo de ensino-aprendizagem.

A questão é que qualquer um com um pouco de desinibição e alguns diplomas já se considera apto a ser professor. Com a crescente exigência de qualificação dos discentes do ensino superior, a atenção está voltada apenas para seus "currículos Lattes". Basta ter doutorado e extensa lista de publicações que se conclui: "esse é um baita professor". Mas, para ser um bom professor, há muitos outros atributos os quais um diploma de doutorado não consegue alcançar. A gentileza, a paciência e a boa educação não fazem parte da ementa das disciplinas da pós-graduação, nem se adquire com muitas horas de pesquisa. O livro publicado não torna o professor mais humano. E, em muitos casos, a titulação causa apenas o distanciamento entre alunos e professores.

Não estou com isso querendo reduzir a importância do aprofundamento acadêmico, muito ao contrário. Os melhores cursos superiores possuem maior percentual de doutores em seus quadros. E a pesquisa está diretamente relacionada com a evolução do conhecimento em uma universidade, para que não se faça apenas a reprodução do que já foi estudado.

Mas, infelizmente, há professores no ensino superior que se consideram completos com seus títulos e acervo bibliográfico. A arrogância cresce paralelamente a suas conquistas acadêmicas. Porém, não conseguem usar nem as técnicas didáticas do passado, nem as do presente. Não são capazes de transmitir o conhecimento, muito menos de construi-lo junto a seus alunos.

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