Não, eu não vou falar sobre modos à mesa, boas maneiras ou educação. Apesar de que seria um assunto bem extenso, pela constante falta de noção de algumas pessoas. Também não sou um exemplo à mesa, pois meu cardápio é limitado (vegetariana...), é sempre chato recusar algum prato... e derrubar coisas é comigo mesma. A etiqueta a que me refiro é aquele pedaço de tecido costurado nas confecções, cuja grife é endeusada por determinadas pessoas.
Certo dia chuvoso, recebi a visita de um amigo, que andava na rua sem guarda-chuva. Chegou ensopado e então ofereci-me para colocar seu blusão de lã na secadora. Depois de um tempo, retirei o blusão da máquina. Estava no avesso e pude ver que nele havia umas "trezentas" etiquetas penduradas, daquelas compridas. Chegavam quase a se enrolar. Como eu tenho uma aversão a etiquetas, pois irritam a minha pele, costumo cortá-las logo após comprar uma roupa. Então, ofereci-me para cortar as etiquetas do blusão do meu amigo. Ele deixou a educação de lado (voltemos à introdução desse texto) e vociferou que eu não as cortasse, esquecendo que não só estava na minha casa, como eu havia acabado de lhe prestar um favor secando sua roupa. Então olhei melhor. Claro, o blusão tinha pedigree. Provavelmente ao ter suas várias etiquetas cortadas, não poderia mais o rico blusão ser ostentado por aí, em ocasiões como essa, após um banho de chuva.
É claro que uma marca reconhecida atesta a qualidade de uma roupa. Nos dá a tranquilidade de que podemos lavá-la sem ter sua numeração reduzida, a cor vai se manter por muito mais tempo, o tecido não provocará alergia. Mas é necessário saber se estamos pagando pela qualidade ou o plus se refere apenas ao nome registrado.
Li numa revista um artigo, escrito por uma estilista, que se diz satisfeita pela proliferação de novos talentos no ramo da moda. Isso fez os preços baixarem. Afirmou que, por saber o custo de tecidos e aviamentos, se nega a pagar preços abusivos. E que os grandes magazines estão popularizando roupas de qualidade e bom gosto.
Então, por que ainda há pessoas que pagam fortunas para ter roupas de marca? E pior, precisam alardear que estão usando a grife famosa? Se assim não fosse, meu amigo não teria se importado em ter suas etiquetas do blusão recortadas. No máximo diria que eu não precisava me incomodar, pois os penduricalhos não lhe causavam mal. Mas um xilique por causa da Zara... que, conforme disse minha filha, "nem é tão wow assim"...

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