domingo, 16 de janeiro de 2011

Compras coletivas

De uma hora para outra, como é normal na internet, elas surgiram aqui no Brasil. As compras coletivas já são um fenômeno mundial, rapidamente disseminadas com a ajuda das redes sociais. Beneficiam aos consumidores, que conseguem descontos inimagináveis no comércio tradicional (alguns falam em 90%, mas bem sabemos que primeiro se eleva o preço para o desconto parecer maior). Porém, as compras coletivas servem principalmente a quem concede os descontos, pois proporcionam visibilidade instantânea a empresas em geral desconhecidas. A famosa frase "There ain't no such thing as a free lunch", de origem desconhecida e popularizada por Milton Friedman (economista americano já falecido) ilustra bem a intenção das empresas participantes, pois nenhuma delas pensa em praticar beneficência com suas vendas.

Adepta à praticidade das compras on-line há bastante tempo, já andei participando de algumas ofertas coletivas, sempre com êxito. Mas o mercado virtual também apresenta suas falhas e, na última sexta-feira,  pude conferir uma delas. Quando a oferta coletiva falha, entra em cena o intermediário do negócio, que é o site através do qual a oferta é publicada. E foi para esse site que apresentei a seguinte reclamação:

"Solicito o cancelamento dos 2 (dois) cupons que comprei da oferta "Corte com Visagismo Personalizado + Escova + Tratamento SOS (reconstrutor Di Colore) + Luzes de R$245 por R$49 na XXX [nome do salão de beleza]", códigos nº 51/7472 e 52/7381.

O motivo do cancelamento é minha total decepção com o Salão "XXX" e seu péssimo atendimento. Marquei horário com muita antecedência (em dezembro ainda) para mim e minha filha, para o dia 14/01/11, horários 15 e 17h, respectivamente. Fomos ontem para atendimento e, quando chegamos, havia 5 (cinco) pessoas dentro do recinto, uma cabelereira, um cabelereiro, a manicure e duas clientes. Logo em seguida, entraram mais duas mulheres, uma delas para o horário das 15:30h, tinha cupom da mesma oferta que eu (site de compras coletivas). A cabelereira, visivelmente irritada, mandou que as acompanhantes esperassem do lado de fora, porque o local era pequeno e não cabia muita gente ali dentro. Lá fora estava muito calor, e dentro do recinto havia ar condicionado. Como eu e minha filha não éramos acompanhantes, continuamos ali, eu estava esperando o cabelereiro fazer as anotações do código do cupom. As duas moças também continuaram, esperando o cabelereiro buscar as anotações na agenda. A cabelereira, de forma rude, repetiu que havia muita gente ali dentro, que era para esperar lá fora, que havia bancos e revistas. Uma das moças falou que já ia sair, que queria ver se tinha horário para manicure. Em seguida, as duas moças (assustadas) saíram e esperaram lá fora. Então a cabelereira irritada falou para mim que uma das duas deveria esperar lá fora. Eu achei um absurdo, não ia deixar minha filha lá fora sozinha, no calor, por duas horas, aguardando ser atendida. E depois de ser atendida, quem teria que ficar esperando lá fora no calor seria eu. Pedi para falar com o cabelereiro, que estava ajudando a cabelereira irritada, pois eu não queria confusão. Ele veio mais perto de mim e eu pedi para cancelar o atendimento, que eu não queria mais, pois estava com medo que uma pessoa nervosa daquele jeito cortasse e fizesse luzes no meu cabelo (a essas alturas, nem queria saber o que era o tal 'visagismo'). Ele demonstrava estar embaraçado com a situação, até tremia, envergonhado com o comportamento de sua colega. Tentou contemporizar, propôs que marcássemos para outra data, para as duas serem atendidas no mesmo horário (quando eu marquei em dezembro, me foi informado que era apenas uma pessoa que fazia o procedimento e por isso deveriam ser marcados horários diferentes e sucessivos). Eu respondi que não queria ser atendida pela cabelereira, nem em outra data, pois ela era muito nervosa. Então essa cabelereira terminou o atendimento de sua cliente e veio em nosso encontro, falando 'o que é que está acontecendo, afinal?'. Expliquei que eu achei muito estranho o tratamento dela, mandando ir lá fora, que eu não queria deixar minha filha lá fora. Ela disse que esse era o jeito dela, porém considero que não é um modo adequado de tratar os clientes.

O cabelereiro devolveu os nossos cupons e, para conseguir encerrar o problema, falei que telefonaria depois para re-agendar.

A questão é que eu NÃO QUERO MAIS SER ATENDIDA NESSE SALÃO, por isso peço a DEVOLUÇÃO DO VALOR PAGO, dos 2 (dois) cupons, ou seja, R$ XXX,XX.

Agradeço a compreensão, pois o atendimento de minha reivindicação demonstra que os senhores desejam manter a qualidade e a viabilidade das compras coletivas. Do contrário, 'o barato pode sair muito caro'."

Acredito que não restou nenhuma dúvida para os administradores do site de compras coletivas sobre o problema e, no mesmo dia que enviei a reclamação, fui informada de que o valor pago seria reembolsado em meu cartão de crédito.

Compradores coletivos, podem continuar comprando em segurança. Empresas despreparadas, não deem um passo maior que as pernas!






Nenhum comentário:

Postar um comentário