sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Faixa de pedestre

Então Porto Alegre começou a implantar a campanha das faixas de pedestres. Em Brasília funciona muito bem, nem é necessário fazer o sinal com a mão. Basta o pé mesmo, e lá se vão muitas batidas entre os carros dos motoristas distraídos. Claro, em cada faixa tem um policial militar pronto para anotar a placa do infrator. Nem teria como copiar o mesmo modelo para Porto Alegre, são inúmeras faixas mal planejadas, do tempo em que eram pintadas nem sei para quê. Apenas eram colocadas lá. Aos poucos a Prefeitura vem organizando, principalmente no centro da cidade. E se não mantiver a campanha na TV e no rádio, logo vai cair no esquecimento.

Dias desses, resolvi testar o comportamento dos motoristas. Tive que atravessar a Érico Veríssimo, numa faixa de pedestres que o motorista consegue enxergar de longe. Fiz o sinal, vários carros passaram, na mais total indiferença para o meu braço estendido. Até que um resolveu parar, obrigando os seguintes a fazer o mesmo. Adiante, no outro sentido da avenida, repeti o gesto. Não teve quem parasse. O jeito foi esperar para finalmente atravessar a via.

Não dei muita atenção ao fato, foi mais um experimento, que teve 50% de êxito. Entrei no prédio onde eu precisava buscar um documento, me identifiquei na portaria e entrei no elevador. Antes que fechasse a porta, um homem "bem apessoado" entrou e me disse, com sotaque de fora do Estado: "eu vi você tentando atravessar a faixa... não respeitam mesmo!". Trocamos algumas palavras, sobre faixas de pedestres de Brasília, Fortaleza e outras cidades, enquanto não chegava no meu andar. Me despedi e fui resolver a questão do documento.

Depois pensei melhor, porque, como sempre, eu acabo sendo muito distraída quando "certas coisas" acontecem. Quem sabe o papo no elevador tivesse sido uma cantada. Se não foi, demonstra que o homem era muito educado, quis externar sua solidariedade, já que ficou me observando ser desrespeitada por vários motoristas. Mas se foi, mostra que ele era muito inteligente, fugindo do óbvio das cantadas pouco originais, que faz qualquer mulher querer sumir! Seja como for, fiquei "en-cantada"...